SUGESTÃO DE FILME

As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupaTítulo original: The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe / Direção: Andrew Adamson
Quem vai ao cinema para assistir As crônicas de Nárnia, anunciado como “o filme mais esperado do ano (de 2005)”, com certeza haverá de se encantar com a trilha sonora, os espetaculares efeitos especiais, a magia e as surpresas que se sucedem a cada momento.
O filme se baseia no primeiro de uma série de sete livros infantis escritos, há 55 anos, pelo escocês C.S. Lewis, embora se utilize ainda de elementos dos demais.
Em Nárnia, os animais falam, seres lendários como faunos, centauros, unicórnios, gigantes, minotauros, feiticeiras convivem ora pacificamente, ora em constantes atritos.
Tudo começa de uma forma quase trágica, em meio a bombardeios a Londres, na velha Inglaterra, durante a II Guerra Mundial.

É a história de quatro irmãos, Pedro, Susan, Edmundo e Lúcia, que são enviados, por questão de segurança, a um velho casarão perdido no meio de campos infindáveis, onde vivem um professor enfurnado em sua biblioteca e que não deseja ser incomodado (segundo a governanta) e a própria governanta, que se percebe, não aprecia muito a invasão infantil naquele até então pacato lugar.
Eles não podem correr dentro da casa, não podem gritar, não podem criar confusões, devem obedecer horários para tudo. Quer dizer: não lhes é permitido ser crianças.
Logo se percebe, entre os quatro, a autoridade contestada (por que devem obediência ao irmão mais velho, afinal? Ele não é o pai, que esse está lutando nas frentes de combate), o descrédito da menor perante os outros três porque “ela inventa coisas”, o pessimismo de uma (só vê problemas em tudo) e o desejo de poder de um garoto que pensa que ter poder é o melhor da vida.
Em tudo isso, nos diálogos, grandes lições onde, com certeza, muitos veremos nossas próprias famílias retratadas.
Quem deseja ser mandado? Quem quer obedecer ao irmão mais velho? Quem quer barulho e bagunça de criança?Alguns valores são muito bem trabalhados no filme. Em meio à magia, existe a feiticeira, que se autodenomina Rainha. Infeliz, a todos deseja infelizes. Uma característica especial é a autoridade que tem ou deseja ou pensa ter sobre os demais.
Todos são subjugados pelo medo. E ela descarrega a sua raiva em todos à sua volta, castigando, punindo, transformando em gelo os que ousam desobedecer ou não executam suas injustas ordens de imediato ou da exata forma que projeta.
Recorda muito bem alguns espíritos descritos na literatura espírita que acreditam serem senhores de determinados domínios trevosos e, na sua infelicidade, aos demais desejam manter sob sua pretensa autoridade, pelo temor e promessas falsas.(4 e 5)
Assim, Edmundo, o garoto que deseja se libertar das ordens do irmão, aceita entregar àquela que acredita lhe poderá dar os doces que aprecia e o poder que almeja (ele deverá ser rei) a própria família, numa fria traição. E, demonstrando covardia, vai a cada passo, dando mais detalhes a ela, Jadis, para furtar-se à sua sanha maldosa, resguardando a própria vida. Vejamos a semelhança com o ensino evangélico: “Porque o que quiser salvar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por causa de mim, salva-la-á.”(6)
Um dos valores muito bem apresentados, na peça cinematográfica, é o perdão. Os três irmãos, mesmo cientes de que
Edmundo os traíra, tudo fazem para o libertar do poder da feiticeira. “Ele é nosso irmão!” Não importa o que tenha feito. O amor fraternal fala mais alto. E, no reencontro, o abraçam, comovidos, sem recriminações. Apenas o recebem,
felizes.A coragem, ante as dificuldades, é a marca registrada de Lúcia, a menor dentre os irmãos. Igualmente a solidariedade. Se o fauno foi bom para com ela, como ela pode agora abandoná-lo na
adversidade? E se dispõe a enfrentar quaisquer perigos para salvar o amigo, em demonstração da lealdade que lhe enche a alma.Aslam (leão em turco) é o grande herói. Majestoso, de fala macia, olhos bondosos é detentor da sabedoria e do verdadeiro poder.
Ele se entrega às injúrias e desmandos de Jadis, renunciando à própria vida, para salvar o “traidor” Edmundo, que deveria sucumbir, conforme as leis de Nárnia, invocadas pela feiticeira.
Sozinho, ele é humilhado, amarrado, colocado sobre a pedra do sacrifício e morto.

Bom, o que acontece depois não vamos contar aqui, porque para quem ainda não assistiu o filme, perderia toda a graça.
Um outro destaque importante de se notar é a relatividade do tempo. Quando os irmãos entram no guarda-roupa e descobrem o mundo de Nárnia, os anos passam, eles crescem, vivem ali, após a batalha vencida, entre os campos floridos, a paz conquistada.
Contudo, quando retornam ao seu verdadeiro mundo, descobrem que mal se haviam passado alguns segundos...
Conceito que encontra respaldo na obra kardequiana A gênese, cap. VI, item 2: “O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.”
Ainda conceitos de ideoplastia podem ser anotados. Todo o reino de Jadis sucumbe, quando ela é derrotada pelo poderoso Aslam: o castelo, o gelo, a neve “eterna”, tudo desaparece, repentinamente: “Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.” (3)Demonstra também a não existência do mal, que “é a ausência do bem, como o frio é a ausência do calor.” (2)
Com certeza, há violência no filme. O bem luta contra o mal para o aniquilar. Alguns outros senões, com certeza, todos os espíritas estudiosos encontraremos. Contudo, recordamos que esse filme é mais uma daquelas obras que atestam que o Espiritismo “se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos.” (1)
Bibliografia:
1. KARDEC, Allan. Da lei do progresso. In:___. O livro dos espíritos. 81. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. pt. 3, cap. VIII, perg. 798.2. ______. O bem e o mal. In:___. A gênese. 41. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. cap. III, item 8.3. ______. Os fluidos. Op. cit. cap. XIV, item 14.4. FRANCO, Divaldo Pereira. No anfiteatro. In:___. Nos bastidores da obsessão. Pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda. Rio [de Janeiro]: FEB, 1970. cap. 6.5. XAVIER, Francisco Cândido. Numa cidade estranha. In:___. Libertação. Pelo espírito André Luiz. 5. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1971. cap. IV.6. BÍBLIA, N.T. Lucas. Português. Bíblia Sagrada. 6. ed. São Paulo: PAULINAS, 1953. cap. 9, vers. 24.7. www.disney.com.br
Por: Maria Helena Marcon
O teaser de As Crônicas de Nárnia está no ar e promete muita aventura para o final do ano. Para fazer o download, clique abaixo:
http://www.narniaweb.com/img/trailer_french.wmv



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